UP na prova dos três

Convidamos três jornalistas de outras áreas para avaliar o Volkswagen Up.  Veja quais foram as impressões de uma mulher e dois homens não especializados em carros e depois
con ra o contraponto do nosso editor

Peguei o Up em uma sexta-feira à tarde para ir com mais quatro amigos passar o fi m de semana no Rio de Janeiro. A primeira impressão, assim que vi o carro pessoalmente, foi boa: design bonito e moderno, interior estiloso – mesmo com a cara de plástico da região do porta-luvas. Sou proprietária de um Peugeot 207, que escolhi também pelos detalhes mais comuns em carros populares. Para uma mulher, é claro que detalhes de design não passam despercebidos. Não sei se também por ser novo, mas eu e meus amigos reparamos que as pessoas olhavam para o carro durante toda a viagem. O espaço me pareceu bem aproveitado para um compacto. Quando vi o carro em uma propaganda na internet, achei que seria um grande sufoco rodar 450 quilômetros em cinco pessoas, mas até que foi bastante tranquilo. Claro que as pessoas do banco de trás sofreram um pouquinho, por causa do espaço limitado para as  pernas. A hora de colocar as malas também foi um pouco sofrida, mas coube tudo. Ainda no trânsito de São Paulo, senti dificuldade com as marchas, na minha opinião um pouco curtas (o 207 também me incomoda por isso); a primeira e a segunda nem tanto, mas da terceira em diante sim. Achei ótimo que o painel avise a hora de trocar de marcha para ter uma corrida mais econômica.

Na estrada, o carro se comportou muito bem. A direção é leve, bem mais leve do que a do meu carro, por exemplo, e permite que curvas mais acentuadas sejam feitas com bastante facilidade. Como viajávamos em cinco pessoas e com bagagem, em alguns momentos  senti perda de velocidade – mesmo pisando o carro não respondia bem. Mas, considerando a situação e o motor 1.0, nada surpreendente. A tecnologia do Up com certeza agrada a quem procura um carro popular. O sistema de navegação, o sensor de ré, regulagem de altura do
volante e espelho retrovisor elétrico tornaram a viagem mais interessante. Ele se mostrou um carro silencioso, mesmo em alta velocidade, e isso foi uma das coisas que mais me agradaram. O Up me pareceu bastante estável também, mesmo a 120 km/h, o limite da rodovia. Ficamos com o ar-condicionado ligado o tempo todo. Mas, pela publicidade da Volkswagen, achei que seria mais econômico. 

No trajeto de ida e volta consumimos dois tanques cheios – um com etanol e outro com gasolina. O Up é um bom carro para quem está começando a dirigir e para quem costuma rodar na cidade ou fazer pequenas viagens. Mais de 400 quilômetros cansa. Efetivo e com boa entrega, ele me pareceu uma boa pedida para quem tem esse perfi l. Mas eu não compraria, porque ainda prefi ro outras opções no setor dos populares.

Enfrentando o trânsito da Raposo Tavares todo santo dia

Se você é um sujeito grande, provavelmente terá a mesma impressão ao sentar no banco do motorista do Up: “E não é que fi cou confortável mesmo?” Admito que fui testar o carro com a mais baixa das expectativas. É que, por fora, ele parece pequeno – pequeno demais  para pessoas que, como eu, sempre sofrem com a pouca disposição dos fabricantes para construir carros populares e espaçosos. Nesse aspecto, o Up é uma surpresa. Pelo menos para o motorista. Com o ajuste do banco e do volante, nem parece que você está num modelo de entrada.
Espaço generoso para as pernas, ótima visibilidade, espelhos retrovisores grandes, suspensão ligeiramente elevada, tudo muito bacana para quem não esperava encontrar tais atributos.

Ok, a Volkswagen resolveu a questão do conforto para o motorista, mas será que o Up anda direitinho? Como moro em Cotia e trabalho em São Paulo, pego estrada todo santo dia. Portanto, ter um carro com motor acanhado é tudo o que não preciso. Mas o Up vai bem na rodovia. Ágil, ultrapassa com segurança. E de novo fui surpreendido. Acredite: o motor 1.0 proporciona boa
retomada – você acelera para superar aquele caminhão de dupla carroceria sem o motor reclamar do esforço.

Claro, o Up não é, assim, aquela potência toda. Mas, em se tratando de um popular, na estrada funciona que é uma beleza. E até se ela estiver congestionada. Na Raposo Tavares, que enfrento diariamente, o trânsito sempre para. É primeira e segunda marchas o tempo todo. Com o Up, isso não é nenhum fim de mundo. Como o engate do câmbio é macio, a fila de carros à
sua frente incomoda menos.

Vi também alguns problemas. O que mais irritou foi a saída central do ar-condicionado. Ela fica sobre o painel, atrás da tela do navegador. O ar, que deveria sair na direção do motorista, é lançado para o para-brisa. Qual é o sentido disso? Quanto ao navegador, uma pena. O aparelho é útil (ele avisou que o combustível estava para acabar e indicou um posto nas proximidades), mas falhou várias vezes. Talvez seja questão de ajuste, talvez não. Por fim, resolvi testar o espaço nos bancos de trás. Pessoas grandes terão problemas para acomodar as pernas. Ali, o Up parece ser bem pequeno. Se eu compraria o novo carro da Volkswagen? Por R$ 34.990 – preço básico dessa versão High Up –, eu compraria fácil, fácil.

Um cilindro a menos não faz falta na cidade nem na estrada

Não é preciso dirigir por muito tempo o Volkswagen Up para perceber que se trata de um carro diferenciado. Nos quesitos economia e desempenho, o pequeno motor de 3 cilindros se sai bem. Sem peso, o Up é valente na cidade, com respostas rápidas no acelerador. O ponteiro do combustível, que demora a começar a cair, comprova que há muita tecnologia no propulsor. Rodando nas ruas de São Paulo, a relação potência-consumo impressiona. Não tive dificuldade de me adaptar, mesmo estando acostumado com um carro maior, o Nissan Tiida 1.8. Também fiz uma viagem de 160 quilômetros até Mogi-Guaçu (SP). Na estrada, com a necessidade de pisar mais fundo, o consumo não empolga tanto, além do inconveniente da vibração
excessiva do motor.

Mas não dá para ficar em cima do muro. Indiscutivelmente, o Up é um carro excelente na sua categoria. Chega a ser  covardia compará-lo com os rivais. Eu compraria. O Up é superior onde quer que se olhe. Cada pequeno espaço foi bem projetado. Para quem não carrega família o tempo todo, não falta porta-malas. Para quem vai no banco de trás, o teto alto garante conforto
mesmo para quem tem mais de 1,80 m. Esse bem projetado  espaço também garante uma confortável posição para motorista e passageiro. Para  quem vai na frente, os joelhos e os ombros ficam bem posicionados. Quem passa horas no trânsito sabe que isso faz toda diferença. O que mais chama a atenção no Up é a sensação de segurança. Primeiro por saber que conquistou cinco estrelas no teste de colisão do Latin NCap. Segundo porque passa firmeza em curvas – dentro dos limites de velocidade, é claro – e em pistas mais rápidas. O carro é visivelmente bem equilibrado. O painel, que relembra traços simples e funcionais do velho Fusca, foge da mesmice do plástico preto dos populares concorrentes. Outro ponto positivo no novato da família Volkswagen é a tecnologia. O GPS acoplado (e removível) no painel une em um único dispositivo diversas funções. Pode-se, por exemplo, controlar o rádio por ele, gerenciar o combustível restante no tanque reserva e ter acesso a funções do painel. Quando funciona é uma maravilha. No segundo dia de avaliação, o aparelho travou. No quinto dia, duas horas antes da devolução do carro, voltou a funcionar.

 

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