A venda de carros registrou alta histórica no Brasil em junho, e cresceu 132% em relação a maio, divulgou hoje a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Ainda que a marca histórica possa ser motivo de um leve alívio para o setor automotivo, os números de 2020 ainda são preocupantes. Se comparado ao mesmo período de 2019 (213.416 unidades vendidas), o resultado de hoje mostra queda de 42,47%.

Com aumento de 116,78%, as vendas de automóveis e comerciais leves, em junho, totalizaram 122.772 unidades emplacadas, contra 56.635 em maio deste ano, mês que ainda teve uma base baixa para comparação, em função de muitas concessionárias estarem fechadas.

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De acordo com a entidade, que representa 7.300 Concessionárias de Veículos – filiadas às 51 Associações de Marca, ligadas à Federação, em todo o Brasil, foram vendidos 194.354 veículos em junho/2020, contra 100.422 unidades em maio, num aumento de 93,5%. Mas, se comparados aos resultados de venda de carros de junho de 2019, os emplacamentos de junho de 2020 ficaram 38,58% abaixo das 316.453 unidades, comercializadas no ano passado.

No acumulado do primeiro semestre de 2020, foram emplacados 1.225.663 veículos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros, o que representa queda de 36,13%, na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram emplacadas 1.918.977 unidades.

“A queda já era esperada, em função do atual cenário, considerando os efeitos da pandemia do covid-19, que obrigou o fechamento do comércio e o isolamento social, durante longo período. Mas, quando avaliamos o mês de junho, na comparação com maio deste ano, já observamos uma expressiva melhora, explicada pelo retorno das atividades dos Detrans, principalmente, em São Paulo, que representou 32,1% das vendas nacionais, e da reabertura das Concessionárias, para vendas, na Capital Paulista e em outras localidades”, avalia o presidente da Fenabrave Alarico Assumpção Júnior.

Automóveis e Comerciais Leves

Também no acumulado do primeiro semestre de 2020, os impactos da pandemia sobre as vendas de automóveis e comerciais leves fizeram o resultado cair de 1.248.843 unidades, vendidas nos seis primeiros meses de 2019, para 763.280 unidades, comercializadas no mesmo período desse ano.

“A evolução de junho já nos mostra um sinal de recuperação, principalmente, em função da retomada de operações do Detran de São Paulo e do retorno das concessionárias da capital paulista, que somam mais de 370 empresas que atuam nestes segmentos. Claro que um aumento desta magnitude nos indica que, além das vendas efetivadas em junho, há registro de vendas realizadas em maio e que não haviam sido registradas “, pondera Assumpção Júnior.

Caminhões, ônibus e implementos rodoviários

Em junho, os 8.762 caminhões emplacados ficaram 12,28% acima do volume comercializado, no mesmo mês de 2019 (7.804 unidades), e 85,05% acima das vendas de maio de 2020 (4.735 unidades). A melhor se dá pelo fato desse tipo de veículo ser utilizado para o transporte de itens essenciais, durante a pandemia.

“E com o agronegócio impulsionando o setor, os caminhões têm sido mais demandados, principalmente, os pesados e extra-pesados. Os resultados só não foram melhores porque as montadoras ainda estão retomando a produção, mas em ritmo menor. Mesmo em dois turnos, em função do necessário distanciamento social, a produção não está alcançando a demanda e, com isso, as Concessionárias já têm entregas previstas para os meses de setembro e outubro”, comemora Assumpção Júnior.

Mesmo sendo um dos segmentos automotivos menos afetados pela crise, o mercado de caminhões registrou retração de 19,71% nas vendas do primeiro semestre de 2020, sobre mesmo período de 2019, totalizando 37.629 unidades, contra 46.865 unidades no 1º. Semestre do ano passado.

As vendas de ônibus registraram baixa no primeiro semestre, chegando a uma queda de 36,5% sobre o acumulado de 2019, somando 7.875 unidades, contra as 12.402 unidades emplacadas no mesmo período do ano passado. Na comparação com junho de 2019, a queda refletida foi de 34,09%. Mas, se comparados com o mês de maio/2020, os números apresentam crescimento de 58,03%.

O segmento de implementos rodoviários registrou 6.614 unidades emplacadas em junho/2020, numa alta de 25,98% em relação ao mesmo mês do ano passado. Na comparação com maio deste ano, o segmento apresentou crescimento de 76,23%. No entanto, houve retração de 13,42% nos licenciamentos do primeiro semestre deste ano, frente a igual período do ano passado, totalizando 26.702 unidades, contra 30.841 implementos rodoviários, registrados em 2019.

Motocicletas

Com a expansão dos serviços de delivery durante a pandemia, o segmento de motocicletas teria acelerado mais as vendas não fosse a falta de produtos nas concessionárias. “Com as fábricas paradas e somente agora retornando às atividades, e também com problemas de abastecimento de componentes em Manaus, o segmento de motocicletas retraiu 33,93% no primeiro semestre de 2020, sobre idêntico período de 2019, totalizando 350.290 unidades”, afirmou Assumpção Jr.

Em junho, foram licenciadas 45.893 motos, 42,66% a menos do que em igual mês do ano passado, que registrou 80.040 motos emplacadas. Já na comparação entre junho e maio deste ano (29.221 motos emplacadas), os resultados de junho foram 57,05% superiores. “Esse crescimento nos mostra o aumento de demanda, principalmente, por motos de até 250 cilindradas, que foi o segmento que mais sofreu com a paralisação das fábricas” , ressaltou Assumpção Júnior.

Segundo os registros históricos da entidade, para o segmento de motos, o mês de junho/2020 ficou na 20ª. colocação entre todos os meses de junho e, se considerado o resultado do acumulado, o 1º. Semestre de 2020 ficou na 19ª. posição.

Tratores e Máquinas Agrícolas

Para o segmento de tratores, máquinas agrícolas e colheitadeiras, os dados da Fenabrave mostram que foram comercializadas, no atacado, de janeiro a maio (dados de junho ainda não disponíveis, pois esse segmento não é emplacado), 14.612 unidades, numa retração de 6,9% ante igual intervalo do ano passado, quando foram comercializadas 15.688 unidades. Na comparação entre os meses de maio de 2020 e maio de 2019, houve expansão de 16,1% este ano, totalizando 3.673 unidades, contra 3.164, em maio do ano passado.

Maio de 2020 também superou o mês de abril, com aumento de 57,3%, superando, portanto, as 2.335 unidades vendidas. “Estamos num bom momento para o agronegócio, mas estamos sentindo falta de tratores de alta potência para soja, para atender à demanda, o que deve ser normalizado no segundo semestre”, declarou Assumpção Júnior.