A BYD conseguiu sair do sufoco: em junho, a gigante chinesa registrou seu segundo mês consecutivo de crescimento nas vendas globais, com alta de 5,5% e 403.472 unidades emplacadas. O resultado consolida uma modesta recuperação que começou com um tímido 0,3% em maio, interrompendo uma amarga sequência de oito meses seguidos de queda nas vendas da BYD.

Mas não há motivo para festa completa em Shenzhen. Os dados da Associação de Carros de Passageiros da China (CPCA) deixam claro: o sufoco só diminuiu por causa do mercado externo: as exportações estão carregando a marca nas costas, enquanto as vendas na China continuam patinando.

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BYD Song Plus 2026 - Foto: Lucca Mendonça
BYD Song Plus 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Vendas da BYD em 2026: sucesso fora, sufoco em casa

As exportações da BYD atingiram a marca histórica de 175.349 unidades em junho — um salto impressionante de 94,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Para se ter uma ideia do que isso significa, quase metade de tudo o que a BYD vendeu no mês (43%) foi para fora da China.

Por outro lado, o mercado chinês (doméstico) virou uma dor de cabeça: as vendas por lá despencaram 22% no comparativo anual (228.123 carros), servindo apenas como um leve consolo o fato de o número ter sido 2,4% superior ao de maio.

A preferência do consumidor global também mexeu no mix de tecnologias da marca:

  • Elétricos puros (BEV): Registraram uma leve queda de 2,6% (201.472 unidades).

  • Híbridos plug-in (PHEV): Saltaram quase 15% (195.820 unidades).

Essa mudança reflete a nova realidade da BYD: enquanto a China já está muito madura na adoção de elétricos puros, o resto do mundo ainda prefere a transição mais suave dos híbridos plug-in e micro-híbridos (MHEVs).

BYD King 2026 - Foto: BYD/divulgação
BYD King 2026 – Foto: BYD/divulgação

Gargalo da bateria superado

No acumulado do primeiro semestre de 2026, o cenário é parecido. A BYD fechou os primeiros seis meses com 1,81 milhão de veículos eletrificados vendidos — uma queda de 16%, marcando o primeiro recuo semestral da empresa em seis anos. Em contrapartida, as exportações no semestre dispararam mais de 70%, batendo na casa das 792 mil unidades.

Esse fôlego renovado em junho também tem explicação técnica. A BYD vinha sofrendo com a transição de fábrica para a nova geração da sua famosa Blade Battery, o que atrasou as entregas de modelos-chave por semanas. Com as linhas de produção finalmente atualizadas e os gargalos superados, o ritmo de entregas voltou ao normal.

Concorrência chinesa está com o pé no acelerador

Embora os números da BYD impressionem pelo tamanho, o ritmo de crescimento de suas rivais foi ainda mais agressivo em junho. Confira o desempenho do pelotão chinês:

Marca / GrupoDesempenho no Mês
LeapmotorAlta de 95% (recorde de 93.376 vendas).
ZeekrDisparou 111%, somando 35.169 emplacamentos.
Grupo GeelyViu suas exportações explodirem 157%, rompendo a barreira de 100 mil carros exportados.
GWM (Great Wall Motors)Cresceu 50% no exterior, mas viu as vendas derreterem quase um terço na China.

Outras conterrâneas mostram que o momento exige cautela. Nio e Xpeng tiveram seus melhores meses do ano, mas a Nio ficou abaixo das metas e a Xpeng sofre com filas de espera longas por falta de componentes para as versões de topo do seu novo SUV GX.

Já a Li Auto e a divisão automotiva da Huawei (HIMA) amargaram quedas, provando que o mercado externo está servindo apenas como um airbag para amortecer a forte crise interna.

De olho no topo do mundo

O mercado financeiro gostou do que viu e as ações da BYD em Hong Kong saltaram 9% após o balanço de junho. O otimismo dá força para o plano audacioso do chefão da marca, Wang Chuanfu, que mantém a meta de transformar a BYD na maior montadora do mundo em cinco anos, apoiada na internacionalização e na evolução das baterias de recarga rápida.

Para sustentar essa estratégia, a BYD acelera sua expansão fabril:

  • A fábrica da Hungria entra em ritmo de produção em massa ainda neste ano.

  • A marca está prestes a definir seu segundo endereço na Europa. Espanha e França disputam o investimento, que deve envolver a compra de uma fábrica já existente (provavelmente da Stellantis).

Conclusão

A BYD se mexe rápido e mostra agressividade para buscar mercados alternativos, mas o verdadeiro teste será sobreviver à tempestade em seu próprio quintal. Com o mercado chinês revisado para uma retração de 11% em 2026 por conta da crise imobiliária e do fim de subsídios, a BYD terá que provar que as exportações bastam para salvar a situação.

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Fonte: Automotive World