O ano de 2025 terminou com sinais de alerta para a Tesla no continente europeu. A fabricante norte-americana de veículos elétricos viu sua participação de mercado na região (incluindo Reino Unido e EFTA) encolher para 1,7% até novembro, uma queda significativa em comparação aos 2,4% registrados no mesmo período de 2024. O cenário é especialmente desafiador porque ocorre em um momento de expansão do setor: os carros movidos a bateria já representam 18,8% do mercado total de veículos.

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Os dados de dezembro revelam um cenário de retração aguda em economias que sustentavam o volume de vendas da marca:

  • França: No terceiro maior mercado da Europa, os emplacamentos despencaram 66% em dezembro (1.942 unidades). No acumulado do ano, a queda foi de 37%.

  • Suécia: O recuo foi ainda mais drástico, com queda de 71% no último mês do ano e 70% no fechamento de 2025.

  • Península Ibérica: Espanha e Portugal também registraram saldos negativos em dezembro, com recuos de 44% e 13%, respectivamente.

Enquanto o restante do continente parece dar as costas à marca, a Noruega no entanto segue como o “porto seguro” de Elon Musk. Em dezembro, os emplacamentos saltaram 89%, atingindo 5.679 veículos. Com quase 100% das vendas de carros novos sendo elétricos no país, a Tesla encerrou 2025 com uma participação de mercado recorde de 19% em solo norueguês.

Tesla bate recorde na Noruega

Analistas apontam que a Tesla enfrenta uma “tempestade perfeita”. A combinação de uma linha de produtos que começa a parecer datada frente aos novos concorrentes, somada à resistência ideológica de parte do público europeu aos posicionamentos políticos de Musk, tem dificultado a recuperação. Nem mesmo o lançamento de versões mais acessíveis dos populares Model Y e Model 3 foi suficiente para reverter a tendência de baixa.

O mercado financeiro agora volta suas atenções para esta sexta-feira, dia 2 de janeiro, quando a empresa deve publicar os números globais de entregas do quarto trimestre. A expectativa é de que os dados confirmem uma queda acentuada, refletindo as dificuldades enfrentadas na Europa ao longo de 2025.

(*com informações da Reuters)