Viagem de carro: Chapada dos Veadeiros, o coração do Brasil

Veja as dicas de uma viagem de carro inesquecível, que explora o Cerrado e a Chapa dos Veadeiros, bem no coração do Brasil

viagem de carro

O coronavírus deu um pequeno alívio, e as pessoas começam a viver e planejar a vida no “novo normal”. Ainda é cedo para declarar o fim da pandemia, então o ideal é evitar o avião e optar por uma viagem de carro nestas férias. Selecionamos aqui um roteiro para curtir nas férias com a família a bordo do seu carro, conhecendo as belezas do Cerrado e da Chapada dos Guimarães. Não se esqueça de fazer uma revisão no carro antes de ir (veja aqui algumas dicas).


Da caótica capital paulista, fugimos rumo ao norte. São 1.340 km de viagem de carro até o destino, a pouco conhecida Cavalcante, no norte de Goiás, quase em Tocantins. Será nossa base para explorar a região, incluindo a cidade de Alto Paraíso e a vila de São Jorge, portas de entrada para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no coração do Brasil. O caminho é uma reta só.

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A Amarok encara o cerrado. A Estrada São Jorge-Alto Paraíso tem paisagens incríveis

Nas rodovias paulistas, com muitas cidades, carros e radares, seguimos a 120 km/h na Amarok Dark Label escolhida para essa aventura, com seu 2.0 diesel biturbo rodando bons 11 km/l. Em Minas Gerais, surgem pastos enormes, as cidades ficam escassas e a BR-050 segue ótima. O pé direito pesa e a Amarok engole os quilômetros mais rápido. Logo chegamos a Goiás, o cerrado já todo tomado pela agricultura.


A Cachoeira de Santa Bárbara é uma das mais famosas da região. Nas estradas em meio ao cerrado, frágeis pontes de madeira, flores que vivem na seca e sertanejos em burros de carga

O asfalto continua liso, as pistas ficam ainda mais vazias e os radares somem de vez. Subidas e descidas se sucedem, sempre retas, e até carros 1.0 rodam a 150 km/h – velocidade na qual a Amarok segue a 3.000 rpm, com pouco ruído de vento (e o consumo vai a 9 km/l). Só depois de atravessar pela GO-436 e DF-130 as miseráveis cidades-satélite de Brasília e incontáveis quilômetros de plantações de soja e sorgo, o Brasil começa a aparecer como encontrado há 500 anos.


A Cachoeira da Capivara tem “piscinas de borda infinita” e vista exuberante.  Uma lagarta hipercolorida. O Poço encantado  é uma das cachoeiras com acesso mais fácil. A loja de produtos artesanais do povoado quilombola Kalunga  é bem interessante 

A viagem de carro é muito bela. A paisagem fica crua, selvagem e árida. O solo seco, o ar poeirento e as árvores retorcidas mostram um Brasil selvagem, em grande parte intocado. É noite e sinto falta de faróis de xenônio em um trecho com faixas apagadas e aves e outros bichos cruzando a pista. Quatorze horas depois, chegamos a Cavalcante. Achou muito? Pernoite antes no Hotel e Restaurante Sonho Verde, km 128 da BR-050 (oito horas de São Paulo).


Em Cavalcante, a Cervejaria Aracê tem empanadas chilenas e cerveja artesanal. Acima, a Amarok mostra sua valentia nas duras trilhas da fazenda Veredas. Ao lado dela, a placa na saída da cidade avisa que tem chão pela frente 

Se até aqui a Amarok se mostrou confortável e ágil para uma picape, agora é hora de mostrar sua força e valentia. Cavalcante tem altitude que varia de 360 a 1.600 metros e mais de 100 cachoeiras, a maioria com acesso por terra. Nem todas são boas, mas a tração integral da Amarok garante total aderência, não deixando sequer uma roda patinar, e as suspensões mantêm tudo magicamente confortável.

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A mais famosa das cachoeiras de Cavalcante é a magnífica Santa Bárbara, no Quilombo Kalunga, onde descendentes de escravos fugidos das minas de ouro formaram comunidades e viveram isolados por 200 anos, tão remota é a região. É preciso pagar um guia (R$ 70 por carro) e entrada (R$ 20), mas dá para ficar lá o dia todo, almoçar no vilarejo e conhecer também a cachoeira da Capivara.


A Feira do Produtor Rural acontece aos sábados em Alto Paraíso. Tem produtos naturais e esotéricos, além de roupas indianas e comidas feitas com flores e outros ingredientes do Cerrado

Ainda em Cavalcante, a Cervejaria Aracê tem produção artesanal – incluindo uma receita com baru, fruto do cerrado – e empanadas. Não deixe de ir ao Vale das Araras (www.valedasararas.com.br), rota de aves onde fica a cachoeira de São Bartolomeu, e à Fazenda Veredas, com cachoeiras e poços (www.pousadafazendaveredas.com.br). O acesso a essa última é difícil e só os 4×4 mais valentes, como essa Amarok, encararam.


Na região moram estrangeiros, hippies (como os donos da Kombi “cósmica” acima) e esotéricos. A proximidade do paralelo 14, dizem atrai discos voadores (esse, de mentira, é atração no centro de atendimento ao turista de Alto Paraíso)

Se não quiser arriscar, estacione o carro antes da trilha de subida do morro e exercite as pernas. De Cavalcante são 100 km de asfalto até a vizinha mais famosa, Alto Paraíso de Goiás. Entre as duas cidades, o Poço Encantado (www.cachoeirapocoencantado.tur.br) tem acesso fácil, restaurante (o escondidinho de carne de sol é imperdível) e chalés com vista para a cachoeira.


Acima, a Amarok em frente a uma casa típica, de Adobe (tijolo feito com terra do local) e uma das muitas aranhas que vivem nas pedras (fique atento!). Para quem viaja com crianças, a Cachoeira das Loquinhas tem fácil acesso e diversas quedas d’água e poços de águas esverdeadas. O Vale da Lua tem rochas de formação curiosa

Em parte devido à proximidade do paralelo 14 – o mesmo de Machu Picchu –, em parte pela paisagem surreal e o isolamento, Alto Paraíso é uma cidade cuja população mistura estrangeiros, esotéricos, hippies e outras “sociedades alternativas”. Há lojas de artesanato, restaurantes e pousadas por toda parte (e por isso é uma “base” mais recomendável que Cavalcante para os menos aventureiros).

No sábado de manhã a Feira do Produtor Rural é autêntica e imperdível – com destaque para a barraca que vende tapiocas, tacos e outros pratos feitos com flores e frutos do cerrado. Mais 36 km levam a São Jorge, vilarejo na entrada do Parque Nacional (com muitos atrativos para quem gosta de caminhadas). Apesar de menor que Alto Paraíso, tem boa estrutura e atrações como o Vale da Lua, com suas curiosas formações rochosas, e as Cachoeiras das Loquinhas, dos Cristais e Almécegas – para citar só alguns destaques entre inúmeros atrativos naturais da região.


A simpática Vila de São Jorge cresce rapidamente. Tem lojas de produtos artesanais e boa estrutura turística. É a melhor porta de entrada para quem vai visitar o Parque Nacional

Como sempre, nesta viagem de carro exploramos também o “lado B” da Chapada. Pelo norte do Parque Nacional, percorremos mais de 100 km em vazias estradas de terra entre Cavalcante e Colinas do Sul. A vista das montanhas é exuberante e dirigir em meio ao cerrado selvagem, mais bruto, é uma experiência única. Na volta, de novo encaramos os 1.340 km até São Paulo de uma vez só.

Flavio R. Silveira

Saindo cedo, são quatro horas de viagem de carro até o Hotel e Restaurante Sonho Verde, novamente a melhor opção para almoçar e descansar. Aproveitamos para lavar o para-brisa, retirando milhares de borboletas e outros insetos que o limpador da Amarok não deu conta de limpar. Mais 850 quilômetros nos levam de volta a São Paulo, nossa parada final – e um verdadeiro choque cultural depois de um contato tão intenso com a natureza desse Brasil selvagem.

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