VW Golf Variant: aposta ousada na perua

Roberto Assunção

Confiante de que sua perua média é melhor do que qualquer crossover ou SUV de preço similar, a Volkswagen está lançando o Golf Variant no Brasil. O carro chega para ocupar o lugar que foi da perua Jetta Variant, comercializada de 2008 a meados de 2013. “Não é só um carro. É o Golf”, diz o slogan da Volks. E é mesmo! Mais especificamente, o Golf 1.4 TSI de 140 cv com câmbio DSG (automatizado de sete marchas com dupla embreagem). A diferença está no balanço traseiro (parte que fica entre o eixo e o para-choque traseiros), que tem 1.076 mm (307 mm a mais que o do Golf hatch).


A versão Highline, avaliada por MOTOR SHOW, veio completa, com tela multimídia de 8”. O interior é o mesmo do Golf 1.4, com volante multifuncional, quadro de instrumentos simples, câmbio automatizado de sete velocidades e bons porta-objetos no console

E, em comparação ao antigo Jetta Variant, as lanternas traseiras agora são duplas, ocupando também a tampa do porta-malas de 605 litros (maior que o de muitos SUVs). Trata-se de uma aposta ousada, pois o mercado de peruas médias e grandes – que teve seu pico em 2007, com 16.300 emplacamentos, liderado pela Toyota Fielder, Renault Mégane Gran Tour e Peugeot 307 SW – praticamente desapareceu em 2013, com apenas 519 carros vendidos. A melhor temporada do Jetta Variant foi 2011, com 1.908 vendas. Nos demais anos, de 2008 a 2012, a venda média foi de 1.183 unidades.

No total, a Volkswagen vendeu 6.773 Jetta Variant no Brasil. Em 2015 foram vendidas apenas 44 peruas médias/grandes no Brasil (24 Volvo V60, 18 Audi A4 Avant, um Audi RS4 e um Jetta Variant, de sobra de estoque). Apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 2014, o novo Golf Variant agradou o público. Ele chega importado do México em duas versões 1.4 turbo com muita tecnologia embarcada: Comfortline (R$ 87.490) e Highline (R$ 94.990). “A station wagon sempre foi percebida no mercado brasileiro como um carro esportivo”, diz o gerente de marketing da Volkswagen, Henrique Sampaio.


Com bancos de couro na Highline, os ocupantes da traseira ficam em posição baixa. O logotipo oculta a câmera de ré. E no  porta-malas cabem ótimos 605 litros

Por isso, as duas versões chegam caprichadas, ambas com rodas de liga leve de 16 polegadas, modelo Dover. O carro já vem com sete airbags, sistema start-stop, freios com ABS e EBD, controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, monitoramento da pressão dos pneus, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro com Park Assist, faróis de neblina, volante multifuncional de couro e sistema multimídia com tela de 5,8” sensível ao toque e sensor de aproximação (inclui CD player, MP3, rádio, bluetooth, interface para iPod/iPhone e entrada para SD-Card).

Na versão Comfortline, o rack de teto e o friso da linha de cin-tura são pretos; na Highline, são cromados. Como opcionais, a Comfortline oferece piloto automático, shift paddles, rodas aro 17 modelo Dijon, sistema Discover Media com navegador, Map Care (mapas atualizados anualmente) e teto solar panorâmico. Já a versão Highline de série acrescenta ar-condicionado dual zone, bancos de couro, iluminação ambiente, sensor de chuva, shift paddles, espelhos rebatíveis e piloto automático. Os opcionais da Highline incluem rodas aro 17 Geneva (mais esportivas) ou Madrid (com fundo preto), sistema FLA (assistência de farol alto/baixo), Adaptive Cruise Control (freia ou acelera o carro sozinho de acordo com o tráfego), Discover Pro Media com tela de 8” e Front Assist (alerta de colisão com frenagem automática), entre outros.


A lanterna traseira da perua Golf Variant foi dividida em duas partes pela primeira vez. As rodas aro 17 modelo Geneva são opcionais, bem como as rodas aro 17
Madrid (com fundo preto)

Com uma suspensão muito bem acertada, câmbio que não rouba força do motor nas mudanças de marcha, capacidade de estacionar sozinho (em espaços de 40 cm para entrar e 25 cm para sair) e a esportividade que nenhum crossover desse preço tem, o Golf Variant vai agradar quem gosta de uma condução esportiva, com o centro de gravidade baixo para fazer curvas sem muita inclinação, e precisa de grande espaço para carregar a família e as bagagens. O câmbio é perfeito: pode tornar o carro econômico ou muito rápido, facilitando ultrapassagens.

No dia-a-dia da cidade, porém, a perua revelou algumas desvantagens em relação aos crossovers. É um carro bem mais difícil de estacionar, devido à traseira muito longa combinada com a baixa posição de dirigir. E usar o Park Assist em todas as manobras é enfadonho. Ela também não oferece aquela sensação de poder dos SUVs originais (elevados), tão apreciada pelas mulheres. Sabendo que o Volvo V60 (R$ 165.000) e o Audi A4 Avant (R$ 139.000) custam muito mais, essa Variant estreia como única opção de station wagon média abaixo de R$ 100.000. Quem sabe ela não começa a resgatar a paixão dos brasileiros por peruas.

—–

Ficha técnica:

Volkswagen Golf Variant 1.4 TSI

Motor: 4 cilindros em linha, 16V, comando variável, injeção direta, turbo
Cilindrada: 1395 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 140 cv entre 4.500 e 6.000 rpm
Torque: 25,5 kgfm entre 1.500 e 3.500 rpm
Câmbio: automatizado, sete marchas, dupla embreagem
Tração: dianteira
Direção: elétrica
Dimensões: 4,562 m (c), 1,799 m (l), 1,468 m (a)
Entre-eixos: 2,630 m
Pneus: 205/55 R16 (225/45 R17 no carro avaliado)
Porta-malas: 605 litros
Tanque: 50 litros
Peso: 1.357 kg 0-100 km/h: 9s5 (g)
Velocidade máxima: 205 km/h
Consumo: não divulgado
Nota do Inmetro: não participa

Veja também

+ A biblioteca básica do motociclista cool

+ Tomografia revela que múmias egípcias não são humanas

+ Homem compra Lamborghini após fraude em auxílio emergencial

+ Restaurar um carro: quanto custa e quanto ele pode valorizar