20/01/2026 - 11:38
Hoje, 20 de janeiro, é celebrado o Dia Nacional do Fusca, data que no Brasil simboliza o início de produção do modelo por aqui, lá em 1959. Diferente da comemoração internacional, tradicionalmente associada ao mês de junho, a escolha desta data tem origem na década de 1950, quando o Besouro consolidou sua produção e presença nas ruas brasileiras como um dos carros mais populares do país.
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Fusca 1600S: único esportivo
Dentro dessa trajetória de mais de quatro décadas, há um episódio singular: o lançamento do VW 1600S, também chamado oficialmente de Super-Fuscão 1600S, e popularmente conhecido como “Bizorrão”, o único Fusca com vocação esportiva produzido de forma oficial pela Volkswagen do Brasil.

No início dos anos 1970, práticas de preparação e competições como a “Fórmula Super Vê” mostravam que havia demanda por versões mais potentes dos carros disponíveis. Aproveitando esse movimento, a Volkswagen decidiu adaptar o motor 1600 do VW Brasília, já com dupla carburação, no Besouro, que tinha passado por pequenas modificações recentes de design.

Motor do Brasília e mais potência
Quando apresentado em 1974, o Super-Fuscão 1600S tinha algumas diferenças claras em relação ao modelo comum. A combinação de motor 1.584 cm³ com dupla carburação proporcionava potência superior à versão padrão, chegando a 54 cv líquidos, em um carro que pesava cerca de 800 kg. Tecnicamente, isso resultava em desempenho relevante para a época, com acelerações de 0 a 100 km/h na casa dos 16 segundos, melhores que as de outros rivais.

Visualmente, o modelo trazia elementos específicos que o diferenciavam. A tampa traseira tinha uma peça plástica preta exclusiva, concebida para captar ar para o motor mais potente, com o emblema “1600” em prata e o “S” em vermelho, denotando a versão esportiva. Nas campanhas da Volkswagen, o nome “Bizorrão” surgiu como forma divertida de imitar a pronúncia alemã para “Besourão”, aproximando o produto de um público mais jovem.

Interior diferenciado
No interior, o 1600S se destacava pela instrumentação mais completa do que a oferecida nas versões tradicionais. O painel contava com conta-giros, termômetro de óleo, amperímetro e relógio, além de volante esportivo (emprestado do SP2) e bancos dianteiros reclináveis. Eram itens que, na época, fugiam à regra de simplicidade do modelo.

Durou pouco
Apesar da recepção positiva em termos de desempenho e da curiosidade gerada no público, a produção do Super-Fuscão 1600S foi curta. O carro ficou em linha de setembro de 1974 até abril de 1975, cerca de sete meses, quando a Volkswagen simplificou a oferta e passou a vender o VW 1600 “comum”, sem os adereços e equipamentos esportivos do 1600S.

Calcula-se que foram montadas poucas unidades dessa versão, o que hoje faz dela uma das versões mais raras e valorizadas do VW dentre colecionadores e entusiastas. Dos pouco mais de 5 500 veículos produzidos, estima-se que menos de 10% ainda existem em condições de circulação ou estado restaurado.

No Dia Nacional do Fusca, o 1600S não é apenas um capítulo curioso. Ele representa um momento em que a principal plataforma automotiva de sua época foi levada além de sua vocação original, ainda que por um curto período, para tentar responder à demanda por performance e presença nas pistas e ruas do Brasil da década de 1970.
